Escuta serenamente

Quem te repele ou censura.

Há muito fel de amargura,

Em forma de maldição.

Às vezes quem te maltrata

Arrasta apenas consigo

Sede, fome e desabrigo

Por brasas no coração.

 

Quem te injuria e escarnece,

Na frase agressiva, azeda,

Em si sofre a labareda

Que verte do próprio mal.

Toda cólera é doença.

Aquele que se enraivece

Solicita o pão e a prece

Do socorro fraternal.

 

Muita gente cai nas trevas,

Por não achar, no caminho,

Brandura, silêncio e ninho,

No peito amigo de alguém.

Inda que ofensas te cubram

E lâminas te retalhem,

Que as tuas forças não falhem

Na força que espalha o bem.

 

Desculpa, constantemente,

O golpe, a pedrada, o insulto,

Apesar do pranto oculto,

Amargo, desolador!

 

Quem tolera e quem perdoa,

Embora de alma ferida,

Encontra, na própria vida,

O reino do Eterno Amor.

 

Irene Ferreira de Sousa Pinto

Da obra “Antologia dos Imortais”, psicografada por Chico Xavier e Waldo Vieira. Editora FEB – Federação Espírita Brasileira.

 

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