244. Os Espíritos vêem a Deus?

“Só os Espíritos superiores o vêem e compreendem. Os inferiores o sentem e adivinham.”

a) – Quando um Espírito inferior diz que Deus lhe proíbe ou permite uma coisa, como sabe que isso lhe vem Dele?

“Ele não vê a Deus, mas sente a Sua soberania e, quando não deva ser feita alguma coisa ou dita uma palavra, percebe, como por intuição, a proibição de fazê-la ou dizê-la. Não tendes vós mesmos pressentimentos, que se vos afiguram avisos secretos, para fazerdes, ou não, isto ou aquilo? O mesmo nos acontece, se bem que em grau mais alto, pois compreendes que, sendo mais sutil do que as vossas a essência dos Espíritos, podem estes receber melhor as advertências divinas.”

b) – Deus transmite diretamente a ordem ao Espírito, ou por intermédio de outros Espíritos?

“Ela não lhe vem direta de Deus. Para se comunicar com Deus, é-lhe necessário ser digno. Deus lhe transmite suas ordens por intermédio dos Espíritos imediatamente superiores em perfeição e instrução.”

245. O Espírito tem circunscrita a visão como os seres corpóreos?

“Não, ela reside em todo ele.”

246. Precisam da luz para ver?

“Vêem por si mesmos, sem precisarem de luz exterior. Para os Espíritos, não há trevas, salvo as em que podem achar-se por expiação.”

247. Para verem o que se passa em dois pontos diferentes, precisam transporta-se a esses pontos? Podem, por exemplo, ver simultaneamente nos dois hemisférios do globo?

“Como o Espírito se transporta aonde queira, com a rapidez do pensamento, pode-se dizer que vê em toda parte ao mesmo tempo. Seu pensamento é suscetível de irradiar, dirigindo-se a um tempo para muitos pontos diferentes, mas esta faculdade depende da sua pureza. Quanto menos puro é o Espírito, tanto mais limitada tem a visão. Só os Espíritos superiores podem com a vista abranger um conjunto.”

No Espírito, a faculdade de ver é uma propriedade inerente à sua natureza e que reside em todo o seu ser, como a luz reside em todas as partes de um corpo luminoso. É uma espécie de lucidez universal que se estende a tudo, que abrange simultaneamente o espaço, os tempos e as coisas, lucidez para a qual não há trevas, nem obstáculos materiais. Compreende-se que deva ser assim. No homem, a visão se dá pelo funcionamento de um órgão que a luz impressiona. Daí se segue que, não havendo luz, o homem fica na obscuridade. No Espírito, como a faculdade de ver constitui um atributo seu, abstração feita de qualquer agente exterior, a visão independe da luz (Veja-se: Ubiqüidade, n° 92.)

248. O Espírito vê as coisas tão distintamente como nós?

“Mais distintamente, pois que sua vista penetra onde a vossa não pode penetrar. Nada a obscurece.”

249. Percebe os sons?

“Sim, percebe mesmo sons imperceptíveis para os vossos sentidos obtusos.”

a) – No Espírito, a faculdade de ouvir está em todo ele, como a de ver?

“Todas as percepções constituem atributos do Espírito e lhe são inerentes ao ser. Quando o reveste um corpo material, elas só lhe chegam pelo conduto dos órgãos. Deixam, porém, de estar localizadas, em se achando ele na condição de Espírito livre.”

250. Constituindo elas atributos próprios do Espírito, ser-lhe-á possível subtrair-se às percepções?

“O Espírito unicamente vê e ouve o que quer. Dizemos isto de um ponto de vista geral e, em particular, com referência aos Espíritos elevados, porquanto os imperfeitos muitas vezes ouvem e vêem, a seu mau grado, o que lhes possa ser útil ao aperfeiçoamento.”

251. São sensíveis à música os Espíritos?

“Aludes à música terrena? Que é ela comparada à música celeste? A esta harmonia de que nada na Terra vos pode dar idéia? Uma está para a outra como o canto do selvagem para uma doce melodia. Não obstante, Espíritos vulgares podem experimentar certo prazer em ouvir a vossa música, por lhes não ser dado ainda compreenderem outra mais sublime.

A música possui infinitos encantos para os Espíritos, por terem eles muito desenvolvidas as qualidades sensitivas. Refiro-me à música celeste, que é tudo o que de mais belo e delicado pode a imaginação espiritual conceber.”

252. São sensíveis, os Espíritos, às magnificências da Natureza?

“Tão diferentes são as belezas naturais dos mundos, que longe estamos de as conhecer. Sim, os Espíritos são sensíveis a essas belezas, de acordo com as aptidões que tenham para as apreciar e compreender. Para os Espíritos elevados, há belezas de conjunto que, por assim dizer, apagam as das particularidades.”

253. Os Espíritos experimentam as nossas necessidades e sofrimentos físicos?

“Eles os conhecem, porque os sofreram, não os experimentam, porém, materialmente, como vós outros: são Espíritos.”

254. E a fadiga, a necessidade de repouso, experimentam-nas?

“Não podem sentir a fadiga, como a entendeis; conseguintemente, não precisam de descanso corporal, como vós, pois que não possuem órgãos cujas forças devam ser reparadas. O Espírito, entretanto, repousa, no sentido de não estar em constante atividade. Ele não atua materialmente. Sua ação é toda intelectual e inteiramente moral o seu repouso. Quer isto dizer que momentos há em que o seu pensamento deixa de ser tão ativo quanto de ordinário e não se fixa em qualquer objeto determinado. É um verdadeiro repouso, mas de nenhum modo comparável ao do corpo. A espécie de fadiga que os Espíritos são suscetíveis de sentir guarda relação com a inferioridade deles. Quanto mais elevados sejam, tanto menos precisarão de repousar.”

255. Quando um Espírito diz que sofre, de que natureza é seu sofrimento?

“Angústias morais, que o torturam mais dolorosamente do que todos os sofrimentos físicos.”

Extraído da obra: O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec. Tradução de Guillon Ribeiro, Editora FEB, 76ª edição, p. 199 (versão do site Domínio Público).

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