Se o desânimo procura

Mergulhar-te na amargura,

Não olvides, meu irmão,

Que a vida por toda parte

É nova luz a buscar-te

Em doce renovação.

 

Na mágoa que te domina,

Repara a Bênção Divina

A brilhar, aqui e além…

Tudo é esperança e beleza

No trono da Natureza

Na glória do Eterno Bem…

 

Da noite estranha e sombria,

Assoma, envolvente, o dia,

E a treva faz-se esplendor.

Do Inverno que dilacera,

Vem o Sol da Primavera

E o espinho revela a flor.

 

Da serra empedrada e feia,

Desce o regato que ondeia

Em generosa canção.

Do charco de baixo nível,

Desditoso e desprezível,

Ressurge o calor do pão.

 

Coragem! – recorda o ninho,

Suportando, de mansinho,

Toda a fúria do escarcéu;

E do além, tranquila ao vê-la,

Coragem! – repete a estrela,

Sorrindo no azul do Céu.

 

Assim também, a cada hora,

Trabalha, porfia e chora

Guardando a fé clara e sã!…

Padece mas busca a frente,

Lembrando constantemente

Que o dia volta amanhã.

 

João de Deus

Da obra “Poetas Redivivos”, psicografada por Chico Xavier

Editora FEB – Federação Espírita Brasileira.

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